Convidados do III Painel de Jornalismo Avançado debatem imprensa alternativa no campus Fapa

reportagem|ARIADNE KRAMER
foto|MIRELLA SILVA

Na última quarta-feira (27/10), aconteceu, no campus FAPA da UniRitter, a terceira edição do painel de Jornalismo Avançado. Com mediação do professor e coordenador do curso de Jornalismo, Leandro Olegário, o evento debateu o tema Jornalismo Alternativo. Ao bate-papo, compareceram grandes nomes da área, como o vice-presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Luiz Adolfo Lino de Souza; o conselheiro da ARI e editor do Jornal Já, Elmar Bones; o professor das Faculdades de História e Comunicação Social da UniRitter, Walter Lippold; e o idealizador da TV Restinga, Márcio Figueira.

Climate Journalism
O encontro também contou com um vídeo do jornalista Felipe Lobo, que apresentou a plataforma Climate Journalism. Lobo falou sobre a criação da página, que se deu em 2015, com o intuito de ser um espaço onde estudantes de jornalismo pudessem escrever sobre assuntos relacionados ao meio ambiente e sobre sustentabilidade. “O Brasil conseguiu diminuir o desmatamento nos últimos anos, mas precisa fazer mais”, ressaltou o fundador, que convidou os alunos a participarem do projeto. Na plataforma, além de ter seu texto publicado, os donos das melhores reportagens recebem prêmios.

Histórico do jornalismo alternativo
“A mídia digital é o que tem de mais positivo para vocês”, comentou o jornalista Luiz Adolfo, iniciando o debate. Luiz Adolfo também falou sobre as grandes possibilidades que a internet trouxe para os meios de comunicação e da rentabilidade que isto angariou para as redações. “A questão de produção e os custos com papel, de impressão, sempre foi um problema para os jornais alternativos. Alguns foram sufocados financeiramente, exatamente por causa deste custo. Hoje nós temos o barateamento das condições de produção de conteúdo a partir das plataformas digitais”, explicou. O jornalista também mostrou um painel histórico sobre alguns dos jornais de referência como mídia alternativa. Pasquim, Opinião, Movimento, CooJornal, Jornal Já e Sul 21 foram alguns dos exemplos citados.

Elmar Bones também abordou o histórico da imprensa alternativa. Durante sua fala, ele comparou as diferenças da mídia alternativa de hoje para as de antigamente. “Hoje, é alternativo ao que?”, perguntou ao alunos presentes. Elmar ressaltou que os jornais alternativos foram criados nos anos 1970 por uma necessidade, por conta da ditadura militar. “As forças militares atacavam até as bancas que vendiam esses jornais”, contou o jornalista, lembrando que foi uma época difícil para toda a área de comunicação. “A imprensa convencional não conseguia um editorial, um artigo questionando o governo”, completou. Ele também ressaltou que a mídia de hoje não está conseguindo atender as demandas da sociedade, mas que, comparado a outras épocas, existe espaço para escrever.

TV Restinga, a voz da comunidade
Com o intuito de melhorar a comunicação entre os moradores do bairro Restinga, no extremo-sul de Porto Alegre, Márcio Figueira criou o site TV Restinga, fundada em 2011. O canal consiste também em uma página do Facebook, além do Twitter e do canal no Youtube, onde são abordados diversos assuntos, como educação e saúde. Lá são produzidas matérias para a comunidade. Márcio contou aos estudantes sobre como a alternativa auxiliou na busca por informações. “A comunidade começou a ter orgulho da Restinga. Ações positivas aconteciam no bairro”, relatou o empreendedor.

Benefícios dos softwares livres

Finalizando o painel, o professor Walter Lippold conversou sobre a cultura colaborativa. “Ela (a cultura colaborativa) preza pela ampliação da colaboração para o nosso desenvolvimento, evolução ou crescimento, através do conhecimento”, disse. Lippold completou afirmando que nossas informações são robotizadas e vendidas para nós em forma de conhecimento. “Nem uma distopia dos anos 30 e 40 imaginou-se o vigilantismo digital de hoje. Estamos na era do vigilantismo. NSA, Snowden, WikiLeaks… são questões muito importantes para o jornalismo”, ressaltou. Walter abordou ainda os benefícios da utilização dos chamados softwares livres, que são programas executados, copiados, modificados e redistribuídos pelos usuários. Em dezembro de 2015, o professor já tinha destacado essa questão em entrevista ao site da AGEX.

Da esquerda para a direita: Walter Lippold, Elmar Bonnes, Márcio Figueira, Luiz Adolfo Lino de Souza e Leandro Olegário
Da esquerda para a direita: Walter Lippold, Elmar Bones, Márcio Figueira, Luiz Adolfo Lino de Souza e Leandro Olegário

mariana_oselame

Faculdade de Jornalismo

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