Da “economia do propósito” à liderança que inspira: saiba como foi o primeiro dia do WOBI on Leadership 2016

por Mariana Oselame|Cidade do México

Um auditório lotado de lideranças, empresários, estudantes, professores e formadores de opinião ouviu, nesta quarta-feira, os seis palestrantes do primeiro dia do WOBI on Leadership 2016. O evento deste ano, que ocorre no centro de convenções Expo Santa Fe, na Cidade do México, se propõe a discutir o PROPÓSITO como o motor de mobilização que faz as pessoas e as empresas avançarem. As palestras foram transmitidas ao vivo pela equipe da Laureate International Universities.

AARON HURST

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Aaron Hurst

O primeiro a falar, como uma espécie de introdução ao tema do evento, foi o norte-americano Aaron Hurst. Diretor geral da plataforma Imperative, Hurst é autor do livro The Purpose Economy. Na publicação ele expõe os princípios básicos dessa nova forma de organização do trabalho – e das empresas – que tem como foco não apenas o lucro, mas o sentido que ambos são capazes de gerar. Durante a palestra, Hurst provocou a plateia com perguntas como “o que realmente importa para você?”. Também trouxe uma questão aparentemente mais simples, mas que provoca uma grande reflexão: “qual é o teu propósito?”.

Para Hurst, trabalhadores orientados por um propósito são mais felizes, mais produtivos e não enxergam o emprego como uma simples forma de ganhar dinheiro. Trabalham porque, antes de mais nada, querem prestar um serviço para os outros; querem colaborar com a sociedade. Em contrapartida, trabalhadores que não têm um propósito fazem do seu emprego tão somente um meio de obter retorno financeiro. São infelizes, reclamam o tempo todo, vivem estressados.

O que realmente motiva as pessoas?

O que verdadeiramente importa para você?

Qual é o seu propósito?

CLAUDIA JAÑEZ

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Claudia Jañez

Depois de Aaron Hurst foi a vez de Claudia Jañez, presidente da Dupont México, América Central e Caribe, que fez uma apresentação mais focada nos negócios e nas estratégias da empresa. Claudia afirmou que a inovação é o motor do propósito da Dupont, uma companhia de 214 anos que precisou, ao longo do tempo, aprender a ter boas ideias e colocá-las em prática. Para a executiva, existe uma grande diferença entre criatividade e inovação. “Criatividade é pensar coisas novas, inovação é fazer coisas novas”, afirmou Claudia.

Mexicana, a presidente da Dupont ressaltou que tem muito orgulho do seu país – e disse que se a inovação fosse estimulada desde cedo, o México certamente seria um lugar melhor para se viver. Claudia também criticou o sistema educacional mexicano. “Ele premia as respostas corretas, aquilo que já está estabelecido. Não premia a criatividade”, argumentou. Questionada sobre qual é o seu propósito, a executiva citou a família e afirmou que, mesmo ciente da enorme responsabilidade que tem, é “apaixonada” pelo que faz.

SIR KEN ROBINSON

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Sir Ken Robinson

Terceiro palestrante do dia, o britânico Sir Ken Robinson participou do WOBI on Leadership 2016 via internet. Em meio a algumas falhas técnicas que prejudicaram a comunicação com a plateia presente na Expo Santa Fe, ele expôs os principais conceitos que o tornaram uma das maiores autoridades mundiais em criatividade, inovação e desenvolvimento pessoal.

Autor de best sellers como O Elemento-Chave e Libertando o poder criativo, Robinson pontuou que o fracasso, embora não tão valorizado como deveria ser, é muito mais comum – e ensina muito mais – do que o sucesso. Também abordou a revolução digital e, ao mostrar uma foto de um grupo de jovens andando na rua com os olhos fixos nas telas dos seus celulares, questionou: “mídia social”?

FREYA WILLIAMS

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Freya Williams

Com foco na sustentabilidade, Freya Williams deu sequência às palestras do WOBI on Leadership 2016. CEO do Futerra North America e autora do livro Green Giants: How Smart Companies Turn Sustainability into Billion Dollar Businesses, Freya começou a exposição listando as nove empresas que tem a sustentabilidade como estratégia de negócio e que, juntas, formam o “billion dollar businesses” do título do livro.

As empresas – Nike Flyknit, Ikea, Natura, Whole Foods Market, Chipotle, Unilever, Tesla, GE Ecomagination e Toyota Prius – têm, segundo Freya, alguns pontos em comum. Entre eles está a presença de um líder representativo, a inovação e a transparência. Os líderes, aliás, de acordo com a autora de Green Giants, apresentam quatro “Cs”: 1) convicção; 2) coragem; 3) compromisso; 4) “contrarian” (algo como “contrariedade”, em português, no sentido de que são pessoas que não aceitam o status quo, que contrariam o que já está estabelecido em nome da inovação e das novas ideias).

PETER DOCKER

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Peter Docker

Peter Docker começou a palestra contando a história de uma garçonete de 20 anos que trabalhava em um dos restaurantes atingidos nos ataques terroristas de novembro de 2015 em Paris. Essa garçonete, segundo ele, se escondeu atrás do balcão quando o atirador abriu fogo contra as pessoas que estavam no local. Assim que os tiros cessaram, ela saiu de onde estava e, ainda sem ter certeza de que o atirador havia ido embora, se aproximou de um homem gravemente ferido. Segurou a mão do desconhecido por alguns instantes. Ele morreu em seguida. A garçonete, então, repetiu o gesto várias vezes, com todos os que estavam mortalmente feridos. Quando foi questionada sobre o porquê daquela atitude, segundo Docker, ela respondeu: “Foi para que nenhum deles morresse sozinho”.

Com base nessa história, Docker, que atuou como oficial da Royal Air Force e negociador internacional do Reino Unido, desenvolveu o raciocínio sobre o que acredita ser a essência da atuação profissional: o porquê. É preciso ter um porquê, e esse porquê precisa mobilizar mais pessoas além de nós mesmos. Só assim as empresas conseguem sair da posição de “manipuladoras” e passam a se posicionar como “inspiradoras”. Esse porquê, segundo Docker, não pode ser “da boca para fora”; é preciso realmente tê-lo na essência da companhia para que o resultado seja atingido. E o mais importante: a comunicação precisa ser feita de dentro para fora. Primeiro o “porquê”, depois “o quê”. É isso, segundo ele, que diferencia, por exemplo, uma empresa como a Apple, que tem consumidores fiéis à marca, de uma outra fabricante de produtos semelhantes.

GEORGE KOHLRIESER

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George Kohlrieser

O último palestrante do dia foi George Kohlrieser. Psicólogo, escritor e professor da Dayton Police Academy, ele falou sobre propósito, paixão e liderança. Um dos principais momentos de sua palestra foi o relato de uma das quatro vezes em que ele foi feito refém durante o processo de negociação com um sequestrador. Kohlrieser contou que a saída para não ser morto foi tornar-se uma “secure base” do sequestrador. Segundo ele, “secure base” é uma pessoa, um objeto, uma meta ou algo que proporcione um senso de proteção, que gere algum conforto. Nesse episódio, o laço foi estabelecido a partir de uma referência aos filhos do sequestrador – Kohlrieser questionou o homem sobre que tipo de lembrança os filhos teriam dele. A partir daí foram criadas as condições para que ele se rendesse e não matasse nenhum dos reféns.

Kohlrieser emocionou a plateia ao falar da importância de não ser negativo. Contou que perdeu um filho e que, longe de esmorecer, fez dessa perda a sua inspiração. Por fim, mostrou um vídeo marcante dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992). O britânico Derek Redmond era o favorito na prova dos 400 metros do atletismo. No meio da corrida, no entanto, ele sente uma lesão. Mesmo machucado, com dor, Derek segue o percurso. Vendo o sofrimento do atleta, um homem invade a pista e passa a caminhar ao lado dele, emprestando o ombro como apoio. Era o pai de Derek. Ele diz ao filho: “Você não precisa fazer isso”. O filho diz que vai terminar a prova; era o propósito que ele tinha perseguido nos últimos quatro anos. O pai concorda – e termina a corrida junto com o filho.

O vídeo, que emocionou a plateia da Expo Santa Fe, encerrou o primeiro dia de WOBI on Leadership. O evento prossegue na quinta-feira com quatro painelistas: Steven Kotler, Axel Gegenschatz, Tim Leberecht e Mark Hurd. A cobertura ao vivo pode ser vista no site da Laureate a partir das 10h (horário de Brasília). A senha para acessar a cobertura é UNIRITTER001.

mariana_oselame

Faculdade de Jornalismo

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