Dia Olímpico FACS recebe campeões

Experiências além do esporte foram debatidas por João Derly e Jovane Guissone com os alunos da UniRitter

por Ulisses Miranda

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Jovane Guissone e João Derly levaram ao público suas experiências no esporte (Foto: Daiana Camillo)

Na segunda-feira, 6 de junho, o campus FAPA da UniRitter foi palco do Dia Olímpico FACS. A proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro estabeleceu a necessidade de debater aspectos relativos à realização e ao legado dos Jogos. Por isso, João Derly, ex-judoca e Jovane Guissone, paratleta da seleção brasileira de esgrima em cadeira de rodas, foram os convidados. Suas trajetórias vitoriosas, no entanto, permearam a curiosidade de todos, a maior parte do tempo. Na abertura do evento, o coordenador do curso de Jornalismo, Leandro Olegário, deu as boas-vindas aos presentes. Na sequência, a profª Mariana Oselame foi chamada ao palco para mediar e iniciar o bate-papo com os convidados especiais, Derly e Guissone.

João Derly é de Porto Alegre e iniciou sua trajetória esportiva ainda criança. Deixou de lado desde a internet discada, aos refrigerantes e guloseimas. Renunciou, enfim, costumes que muitas crianças desfrutam. Tudo para conseguir preparar-se da melhor forma possível: “Tem muita gente que tem talento esportivo e não consegue ser um atleta porque não tem os atributos principais de um atleta, que não é só o talento técnico”. Jovane Guissone, natural de Barros Cassal, sonhava seguir carreira no Exército Brasileiro. Chegou a servir em Santa Maria, mas todos recrutas de seu ano acabaram dispensados por ordem econômica. Veio para cidade após 18 anos trabalhando com os pais. Aos 22 anos, levou um tiro num assalto. O projétil perfurou um pulmão, o baço e a coluna. Ficou dois meses internado sob o risco de ficar tetraplégico. Contudo, em momento algum pensou noutra possibilidade que não fosse viver: “O médico falou que tinha 99% de probabilidade de ficar em cadeira de rodas, mas eu queria ficar vivo. A gente tem que aproveitar a vida da gente porque ela é uma só”.

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João Derly, Jovane Guissone e a profª Mariana Oselame durante o Dia Olímpico FACS, no campus FAPA da UniRitter (Foto: Bruna Fernandes)

Bicampeão mundial de judô, Derly, subiu com alguma dificuldade os dois degraus até o palco do Dia Olímpico FACS, acompanhado da muleta, resultado de uma lesão no joelho. Campeão paralímpico e primeiro medalhista brasileiro na esgrima de cadeira de rodas, Guissone chegou ao palco pela entrada especial. Carreiras em modalidades distintas, mas que ao final da conversa, demonstraram como histórias vencedoras partilham valores. Conquista e dor, por exemplo, são palavras que acompanham a vida esportiva, independentemente da modalidade, categoria ou fama. O “atleta precisa conviver com dores e lesões”, confirmaram sorrindo e relembrando momentos em que uma foi consequência da outra. Enquanto Derly, hoje deputado federal, ainda sofre fisicamente na transição dos tatames para o Congresso, Guissone disputa eliminatórias e campeonatos em meio ao tratamento de lesões.

A distância entre sonho e realidade – os dois sabem – se altera conforme a vontade de superar obstáculos. No que condiz à superação, Derly afirmou ficar constrangido em falar de superação estando ao lado de Guissone: “Esses são os verdadeiros vencedores da vida. Enquanto muita gente fica em casa se lamentando dos seus problemas, pessoas como ele nos inspiram a ser melhores, a sair da lamentação e buscar algo produtivo na nossa vida”. Para Guissone, a superação veio através do esporte que trouxe “energia, felicidade” e “vida de novo”. Mais do que encontrar uma atividade na qual poderia ocupar a cabeça, Guissone foi atrás de vitórias. O tropeço na final da Copa do Mundo da modalidade, na Alemanha, foi o combustível para vencer as Paralimpíadas de 2012, em Londres: “Perdi por um ponto (na Alemanha) e falei ‘esse ponto vou buscar em Londres’. Ninguém acreditou”. Com três vitórias e duas derrotas na primeira fase, chegou a pensar que estava fora. Classificou-se em último e venceu um experiente adversário de Hong Kong na final. Por um ponto.

Sobre suas participações nos Jogos, Derly e Guissone tem boas lembranças. As vivências na Vila Olímpica – trazidas por Derly em algumas fotos de seu arquivo pessoal – a convivência com atletas de diferentes modalidades e, principalmente, de outras culturas, é um acontecimento único e marcante. Aspectos positivos, para Derly, precisam ser ressaltados: “Eu sempre fui defensor de grandes eventos para que a gente pudesse oportunizar ao nosso país um desenvolvimento em uma área muito importante. Porque o esporte tem fim em si mesmo, mas ele é uma ferramenta de inclusão em diversas áreas. Inclusão social, questões de saúde, a integração que a gente viu (na Vila Olímpica), combate a drogadição, a violência”. Guissone relembra a importância de conquistas pioneiras – como as dele e de Derly – para o crescimento de modalidades menos conhecidas e espera mais no Rio de Janeiro: “Fico muito feliz com o salto que a esgrima deu, que o esporte deu. Temos agora o centro paralímpico onde a gente vai poder treinar mais e com certeza as paralimpíadas vão ser um show, as olimpíadas também. Quero brigar pelo ouro”.

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Camisa da SOGIPA foi sorteada por João Derly (Foto: Daiana Camillo)

Os alunos ainda puderam tirar dúvidas sobre Olimpíadas e Paralimpíadas, além das últimas curiosidades acerca de momentos específicos das carreiras de Derly e Guissone através de perguntas. Os campeões que estiveram no Dia Olímpico FACS são legítimos representantes de dois dos maiores clubes formadores de atletas do país: SOGIPA e Grêmio Náutico União. O ex-judoca, inclusive, sorteou uma camisa da SOGIPA – seu eterno clube. Já Guissone, levará as cores do GNU e do Brasil, para a disputa das Paralimpíadas do Rio de Janeiro. E espera contar com cada um de nós: “Gente, quero contar com a torcida de vocês! Podem ter certeza, seja no tatame, ou, na pista de esgrima, a gente está lutando por todos que estão torcendo. E isso dá muito mais força, muito mais vontade. Porque quando ganho, vocês ganham também e o Brasil ganha muito mais”.

Os sonhos, por fim, são os grandes incentivadores dos dois atletas. Utilizando uma frase do poeta Fernando Pessoa, “o homem é do tamanho de seus sonhos”, João Derly finalizou sua mensagem: “Tive grandes sonhos na minha vida e agarrei pequenas oportunidades que surgiram na minha vida. É importante sonhar. Vocês são jovens, devem ter e lutar por eles. Nunca é tarde para buscarmos esses sonhos”.

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João Derly encerrou sua participação ao lado de Jovane Guissone com a frase de Fernando Pessoa (Foto: Bruna Fernandes)

 

O Dia Olímpico FACS realizado no campus FAPA foi divulgado e organizado pela turma de Assessoria de Comunicação do professor Marcelo Tavares em conjunto da professora Mariana Oselame e toda coordenação do curso de Jornalismo. Na estratégia de divulgação do evento foram produzidos e enviados releases para coordenadorias e veículos de imprensa. Abaixo os releases produzidos pelos alunos Bruno Raupp e Matheus Closs:

Release Geral
Release Esporte
Release Educação
Release Inclusão PCD
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Alunos Graduacao Jornalismo FAPA

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