Painel aborda cobertura olímpica

Nem mesmo o frio do primeiro sábado de junho (4/6) prejudicou a realização do debate sobre os Jogos Olímpicos no salão nobre da Associação Riograndense de Imprensa, a ARI. O evento, que reuniu jornalistas, estudantes de comunicação e interessados no assunto, contou com a participação e a experiência de grandes nomes da cobertura esportiva como Nando Gross (Rádio Guaíba), André Malinoski (O Sul), Antônio Bavaresco Júnior (prefeitura de Porto Alegre), Anna Magagnin (Grêmio Náutico União), José Alberto Andrade e André Silva da Gaúcha (os dois da Rádio Gaúcha). A proposta foi discutir ameaças, oportunidades e a forma adequada de cobrir jornalisticamente um evento como os Jogos Olímpicos.

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Presidente do Conselho da ARI, Ercy Torma (à esquerda), ao lado do atual presidente da entidade, Batista Filho (Foto: Rogério Bastos)

Os participantes foram recepcionados pelo presidente da ARI, Batista Filho, e pelo presidente do Conselho da entidade, Ercy Torma. Na abertura, os anfitriões recordaram a história da instituição e renderam homenagem póstuma ao colega de profissão Enio Rockenbach, falecido na semana anterior.

Depois, em clima de descontração, os painelistas, mediados pela jornalista e professora da UniRitter, Mariana Oselame, relataram suas experiências em coberturas de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e outras edições dos Jogos Olímpicos. Falaram sobre os bastidores e discorreram sobre a importância deste tipo de evento para o país. Um paralelo entre a Copa de 2014 e os Jogos do Rio-2016 serviu de comparativo para ilustrar a evolução da organização dos megaeventos esportivos no país.

Segundo Anna Magagnin, os eventos-teste dos Jogos Olímpicos têm apresentado um nível de organização muito superior aos que foram realizados no período que antecedeu à Copa. A assessora do União também evidenciou a importância do esporte como transformador de vidas e como instrumento de formação de crianças e jovens. Anna afirmou que os atletas de alto desempenho não podem mais ser considerados amadores, já que realizam longas e extenuantes horas de treino. “É importante que um jovem atleta saiba que pode viver do esporte”, sustentou a jornalista, que também enfatizou as dificuldades enfrentadas por quem está começando em qualquer modalidade esportiva.

Um dos grandes nomes da comunicação esportiva, especialmente em rádio, Nando Gross afirmou que uma cobertura bem feita vai além do esporte. Reforçou que o jornalista precisa estar atento ao que acontece ao seu redor. “Precisamos fazer uma grande cobertura dos esportes, mas não podemos desconsiderar a situação atual”, declarou. “Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa e as Olimpíadas, o momento político e econômico era outro”, disse, referindo-se a questões como obras e patrocínios.

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Jornalistas falaram sobre a cobertura de megaeventos esportivos (Foto: Rogério Bastos)

O repórter José Alberto Andrade, da Gaúcha, outro nome de peso do jornalismo esportivo, foi mais além. Zé, como é chamado, afirmou que o esporte passou – e ainda passa – por mudanças profundas. “O esporte tinha uma ‘pecha’ de alienação. Dizia-se: esporte não faz revolução”, contou o jornalista, contestando a afirmação. Acostumado a grandes coberturas, Zé embarca no início de agosto para a sua sexta cobertura olímpica. Para ele, noticiar uma pauta esportiva requer do jornalista uma postura didática, especialmente quando se trata de uma modalidade pouco conhecida do público. Zé também expressou a sua preocupação em relação aos patrocínios dos atletas brasileiros depois do encerramento dos Jogos Olímpicos. Segundo ele, o envolvimento das empresas que mais investem no esporte brasileiro em casos de corrupção e em operações como a Lava-Jato pode comprometer os patrocínios. É o caso, por exemplo, de Petrobras, Caixa Econômica Federal e Correios.

Questionado sobre as obras da Copa, o representante da prefeitura de Porto Alegre, Antônio Bavaresco Júnior, foi categórico ao afirmar que o Mundial de futebol foi o responsável pela injeção de R$ 1 bilhão em Porto Alegre – que sediou parte dos jogos. Segundo ele, esses recursos não seriam investidos se não fosse a Copa no Brasil. Além disso, Bavaresco afirmou que, apesar dos atrasos, as obras da Copa que até hoje não terminaram serão concluídas até o final de 2016.

Outro convidado com experiência olímpica, André Silva foi taxativo ao dizer que os bons profissionais precisam estar atentos a tudo o que acontece, dentro e fora do evento. “Meu diploma é de jornalista. Preciso cobrir tudo que acontece quando estou próximo”, declarou ao ser questionado pela mediadora sobre quais fatos desviariam a atenção de um repórter durante a cobertura de um megaevento. O jornalista também relatou que uma cobertura marcante ultrapassa a apresentação de finalistas e medalhistas. Envolve contar histórias inspiradoras e de superação na formação do atleta. Andrezinho, como é conhecido no meio, também falou sobre um certo temor com a violência, propagado através das redes sociais, e assegurou: “Não é só o Brasil que é violento e tem problemas”.

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Depois do painel os convidados participaram da gravação do programa ‘Conversa de Jornalista’ no Bar da ARI (Foto: Rogério Bastos)

Quem também participou do debate foi o jornalista André Malinoski, do jornal O Sul. “Não existe glamour no jornalismo esportivo”, disse ele, deixando claro que o jornalista tem grandes oportunidades, mas precisa trabalhar duro. Cobrir o antes, o durante e o depois – além de estar atento aos fatos sem perder o olhar crítico – são receitas que aumentam significativamente a chance de sucesso na profissão. André afirmou ainda que a Copa do Mundo no Brasil foi uma grande experiência para o país – e uma das mais bem organizadas que já presenciou.

Os painelistas foram unânimes ao declarar que depois que o Brasil foi eleito sede, tanto para a Copa do Mundo quanto para os Jogos Olímpicos, o papel de cada cidadão, inclusive dos meios de comunicação, é de torcer para que tudo dê certo e o melhor aconteça. Só assim a imagem do país sairia fortalecida. Outros cenários também foram pauta do painel. Equipes esportivas envolvidas com denúncias de doping, a ameaça do zika vírus, possíveis manifestações populares durantes os Jogos Olímpicos e a cobertura televisiva do evento foram debatidas durante o encontro na manhã de sábado. Ao meio-dia, os convidados foram direcionados para o Bar da ARI, ao lado do salão nobre, onde participaram da gravação do programa ‘Conversa de Jornalista’ e reforçaram suas opiniões sobre o esporte. O programa vai ao ar pela Rádio da Universidade 1080 AM (www.ufrgs.br/radio), no sábado, dia 11 de junho, ao meio-dia.

Depois do evento, os repórteres da Agex Fapa Ulisses Miranda e Lúcia Haggstrom conversaram com Zé Alberto Andrade e André Silva. Zé fará a sexta cobertura olímpica da carreira (esteve em Atlanta-1996, Sydney-2000, Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012). Andrezinho cobrirá o evento pela terceira vez (foi a Pequim-2008 e Londres-2012).

REPORTAGEM: Liliane Pappen

mariana_oselame

Faculdade de Jornalismo

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