ZH na Faculdade: a opinião na melhor profissão do mundo

Evento faz parte da comemoração dos 52 anos do jornal e trouxe o editorialista de Zero Hora, Nílson Souza, ao campus FAPA da UniRitter

Coord. do curso de Jornalismo, Leandro Olegário e o editorialista de ZH, Nílson Souza, no campus FAPA da UniRitter (Foto: Fernanda Ludwig/AGEX FAPA)

Quando algum jornalista, ou, convidado em geral, vai até à faculdade, os alunos aguardam por uma palestra. A palavra, em si, denota ao aluno que esse, talvez, seja o dia para faltar. Não podemos omitir os fatos, caros colegas. Aqueles que não estão com a corda das faltas no pescoço, invariavelmente, aproveitam a “oportunidade”.

Entretanto, na segunda-feira, dia 30 de maio, não tivemos uma palestra. Foi uma aula em forma de conversa. O jornalista Nílson Souza está há 30 anos em Zero Hora e, além de editor de opinião da publicação, assina uma coluna semanal no Segundo Caderno.

O projeto ZH na Faculdade foi realizado no auditório do prédio 4, campus FAPA da UniRitter e, mesmo os menos prevenidos, municiados apenas com suas maçãs, saíram com muitas ideias. Nílson Souza, editorialista de ZH, explica a última frase: “Eu sempre brinco quando venho conversar com jovens: se tenho uma maçã e troco com outra pessoa por uma maçã, cada um fica com uma. Se tenho uma ideia e troco com uma pessoa que tem outra ideia, cada um fica com duas. Então, vim aqui para trocar ideias com vocês”.

As mais de quatro décadas de experiência como jornalista são humildemente desmistificadas: “Não significa que eu saiba mais do que ninguém, não significa que posso dar lição de jornalismo para ninguém. Pelo contrário, vim aqui para aprender um pouco com vocês”, assegurou. Aos alunos do curso de jornalismo, foi além do “contar experiências”. Durante as quase duas horas em que esteve sentado ao lado do coordenador do curso de Jornalismo, Leandro Olegário, Nílson foi amplamente questionado pelos estudantes. Respondeu atenta e pacientemente a todas as perguntas. O interesse, assim como a formulação das questões, foi recebido com entusiasmo pelo palestrante, digo, por Nílson.

Sobre “a opinião no jornalismo”, tema norteador da conversa, Nílson frisou que: “É muito importante para o jornalismo, a opinião, porque é ela que vai dar credibilidade ao veículo de comunicação. Quando os profissionais que opinam são respeitados o veículo ganha credibilidade. E esse é o grande diferencial do nosso mercado competitivo, de mídia diversificada, e que as pessoas chegam ao público das mais diversas maneiras”. A busca por temas que possam se tornar editoriais requer respeito aos valores e ao ideário da empresa, ser um assunto de interesse público e, costumeiramente, atual. Assim como um tema noticioso, não pode cair na mesmice: “Vocês devem desafiar a empresa”.

A experiência no mundo jornalístico deve anteceder a conquista do diploma, as conversas – e as palestras – disponíveis, devem ser valorizadas: “Aqui vocês devem se preparar para a profissão”, e acrescentou: “Mais importante do que o diploma, é a formação que vocês recebem nesse ambiente. Isso é que vai fazer de vocês profissionais diferenciados. Então, é muito importante prestar atenção no que vocês estão tendo aqui, que é um ambiente que depois se reproduz numa redação”.

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Opinião, redes sociais, avaliação do mercado jornalístico e dicas para o futuro. Não faltaram ideias na conversa com Nílson Souza (Foto: Fernanda Ludwig)

Um dos temas mais abordados no bate-papo com o – colega – jornalista de ZH, foi a relação com as redes sociais. Pela perspectiva de quem dantes escrevia por intermédio de uma máquina de datilografia, Nílson aponta que “o ‘patrulhamento’ das redes sociais influenciou muito o jornalismo”. A repercussão praticamente instantânea de tudo que é publicado obriga o jornalista a conviver com a crítica sistemática: “As pessoas muito sensíveis não gostam de ficar recebendo ‘pauladas’ por tudo que escrevem. E, hoje, vocês não se enganem, mesmo escrevendo sobre jardinagem, vai ter contestação. Nós temos que nos habituar e administrar essa situação”, orientou. Mas, nem tudo é tão ruim. Na contramão do “achismo” presente nas redes sociais, o jornalista deve manter a postura profissional: “Nós não somos obrigados a saber de tudo, somos obrigados a nos informar”.

Entre os atributos necessários aos futuros jornalistas, Nílson aconselhou: “Invista em novos formatos, seja criativo! Pense naquilo que você consome e naquilo que o público quer consumir, esse é o caminho. Sem negligenciar o velho jornalismo do (Gabriel) Garcia Márquez, que ainda é muito importante, porque traz os fundamentos que são imperecíveis, da ética, do cuidado em ouvir todos os lados, da precisão, da aferição. Essas coisas permanecem para sempre, porque isso é a base do jornalismo”.

Afora as dicas, Nílson também respondeu sobre o passado e o presente dos jornalistas: “A imprensa era intocável. Naquele tempo (quando iniciou) o jornalista era inquestionável. A grande transformação foi que o público se tornou mais exigente e, em consequência, o jornalista teve que se tornar, não só mais humilde, menos arrogante, mas também melhor preparado. A transformação foi gigantesca e, hoje, é muito mais rápida em tudo”.

A responsabilidade presente em cada palavra dentro de seus textos não é o maior dos problemas, afirma Nílson. Para o editor de opinião, ninguém tem facilidade de escrever. Citando a frase do escritor e pensador inglês, Samuel Johnson, “o que é escrito sem esforço, em geral, é lido sem prazer”, Nílson ressaltou: “É sempre difícil e desafiador (escrever). A gente tem que encarar esse desafio. Mas essa dificuldade é que encanta na nossa profissão. Porque quando tu terminas teu trabalho, vê o texto e gosta do teu texto, esse é o momento para dizer ‘a minha profissão é a melhor’. ”

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Professores e alunos posaram ao lado do jornalista Nílson Souza para registrar a visita (Foto: Fernanda Ludwig/AGEX FAPA)

REPORTAGEM: Ulisses Miranda

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Alunos Graduacao Jornalismo FAPA

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