Mulher, futebol e sucesso

Em comemoração ao mês da mulher, ARI promove debate sobre mulheres no mundo do futebol

A Associação Riograndense de Imprensa realizou no Salão Nobre da instituição um evento para discutir a presença feminina no jornalismo esportivo. O bate-papo ocorreu no sábado, 19 de março. Moderado pela jornalista e professora Mariana Corsetti Oselame, contou com a presença das também jornalistas Eduarda Streb e Helena Baségio, além da árbitra e professora de Educação Física, Luiza Reis.

Da televisão à assessoria

Eduarda Streb, mais conhecida como Duda, tem uma carreira consolidada em duas décadas como repórter esportiva. Já cobriu diversos eventos, de diferentes importâncias. De campeonatos estaduais e clássicos nacionais à Copa América, Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos e Mundial de clubes. Com toda sua bagagem como repórter, a jornalista contou ao público que mesmo em meio às dificuldades em uma área predominantemente masculina, sempre foi ousada e lutou por seu espaço:

“Eu sou apaixonada pelo que eu fiz durante esses 20 anos, e eu acho que é isso que nos move. Se tu me perguntares se eu faria tudo de novo, eu te digo que faria tudo de novo. ”

Duda também revelou que a vida na televisão sempre foi intensa e que aprendeu o que era rotina agora, aos 43 anos, por causa da filha Luísa, o principal motivo por ter deixado a televisão para abrir a própria agência de assessoria de imprensa.

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Duda Streb conta sua trajetória no jornalismo esportivo

“Eu não tinha rotina, não tinha horário, era sempre uma correria. Hoje eu preciso ter rotina e horários… Hoje eu preciso ter brócolis em casa por causa da minha filha”, contou Duda, em tom de brincadeira.

A jornalista acredita que a mulher vem conquistando cada vez mais seu espaço, mas que muitas vezes não recebe reconhecimento:

“A mulher cresceu bastante nesse sentido, mas a valorização não veio junto… Se a mulher erra é porque não sabe, se o homem erra é porque cometeu um engano”.

Quando voltou do canal Sportv para RBS, em 2012, Duda disse que olhava ao seu redor e via colegas homens, também qualificados, mas que ganhavam salários maiores para fazer o mesmo trabalho.

O pioneirismo de Helena

Há 34 anos Helena Baségio se dedica ao jornal Informativo do Vale – são quatro anos trabalhando na administração e 30 anos na editoria esportiva.

Ela diz que não sofreu tanto com machismo vindo dos colegas de trabalho:

“Era mais uma admiração, eles me viam lá na casamata e perguntavam o que eu estava fazendo ali, admirados. Pelo menos na minha cara, nunca falaram algo. ”

Mesmo assim, a jornalista sabe bem das dificuldades do ingresso de mulheres na área esportiva da profissão e declara:

“O próprio fato de estarmos aqui, como ‘pessoas diferentes’, já é uma sinalização do que acontece. ”

Helena aprendeu na prática. Sempre gostou muito de futebol e frequentava jogos. Sabendo que estaria lá, os colegas começaram a pedir para que ela trouxesse dados das partidas, e em pouco tempo foi levada da administração para editoria esportiva.

Helena Baségio relata uma vida dedicada ao esporte. - Crédito: Mirella Silva
Helena Baségio relata uma vida dedicada ao esporte

Helena é casada com um ex-jogador de futebol, que também foi uma de suas fontes. O casal tem uma filha, que de forma apropriada, se chama Vitória. Considerando a natureza dos pais, não poderia haver nome melhor.

A jornalista também contou que no início, manteve o romance às escondidas, mas que aos poucos, e com muito profissionalismo de ambas as partes, conseguiu estabelecer um relacionamento estável sem interferir na sua imagem profissional.

O olhar de dentro de campo

Luiza Reis é professora de Educação Física, árbitra da Federação Gaúcha de Futebol, especialista em Jornalismo Esportivo e Mestre em Promoção da Saúde.

Ela conta que a função da arbitragem, tanto para homens, quanto para mulheres é complicada pois estão muito passíveis a erros e são muito cobrados, mas que as mulheres sempre são muito crucificadas: “Todo árbitro recebe bastante cobrança, mas com as mulheres é muito mais forte, até quando a gente vai bem e acerta em lance decisivo eles tratam como milagre por ser mulher”.

Profissional de Educação Física se especializou na área do Jornalismo Esportivo. - Crédito: Mirella Silva
Profissional de Educação Física se especializou na área do Jornalismo Esportivo

Luíza recebeu bastante apoio dos pais. No início, o irmão foi mais resistente, o que não foi motivo para que ela desistisse. Aos poucos, ele começou a apoiá-la também. Hoje, todos a acompanham:

“A minha família é muito presente, eles me ajudam, me elogiam, criticam e acolhem. Eles viajam comigo sempre que dá e assistem aos jogos. ”

Questionada sobre como lida com a pressão e os xingamentos dentro de campo, Luíza disse que se concentra apenas no jogo:

“Óbvio que xingam bastante, tentam desconcentrar, mas eu blindo tudo que vem de fora. Aquilo ali é o meu trabalho, eu sou apaixonada e faço sempre meu melhor, não deixo que me atrapalhem. ”

A jovem fez o curso de arbitragem da FGF em 2009 e é árbitra desde 2010, começando nas categorias de base. Passou pelas 2ª e 3ª divisões, e em 2014 iniciou no Gauchão. Luiza espera que cada vez mais mulheres possam entrar no mundo do futebol:

Logo após o final da palestra, as convidadas participaram do programa Conversa de Jornalistaa Rádio da Universidade (AM 1080 KHz), transmitido do Bar da ARI.

O evento foi promovido pela ARI e coordenado pela jornalista Thamara Pereira que projetou outros eventos semelhantes ao decorrer do ano:

“Esse foi o primeiro evento do ano, e foi muito bom. Tivemos um bom público e a pauta é muito importante. Este ano a ARI completa 80 anos, e pretendemos realizar mais eventos como esse. ”, conclui Thamara.

REPORTAGEM: Laura Traverso
FOTOS: Mirella Silva

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Alunos Graduacao Jornalismo ZS

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